segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Entrevista com o novo presidente da Cáritas brasileira

Por Luiz Fernandes

Com muitos trabalhos desenvolvidos no lado social, o bispo de Abaetetuba, Dom Flávio Giovenale, foi eleito no dia 11 de novembro o novo presidente da Cáritas brasileira. Sacerdote, católico da ordem dos salesianos, originário da cidade de Murello, Itália, Dom Flávio nasceu no dia 6 de maio de 1954 e chegou à Amazônia em 1974. Como Bispo exerceu o cargo de Secretário Executivo nos anos de 1999 a 2003 e foi Presidente de 2004 e 2007 do Regional Norte 2 da CNBB. Este ano, Dom Flávio foi eleito também a assumir, pela segunda vez, o cargo de Secretário Executivo da CNBB Norte 2.

SITE: O que essa nomeação representa para o senhor?

DOM FLÁVIO: Representa um compromisso maior com as cidades que possuem a Cáritas.

SITE: A que o senhor atribui esse resultado?

DOM FLÁVIO: Eu tive 63% dos votos e atribuo o resultado disso ao reconhecimento em nível nacional da Cáritas de Belém. Depois do crescimento da Cáritas daqui o nome do Pará começou a ser cogitado. Além disso, eu já possuía contato com os membros da instituição. Acredito que tenha sido escolhido, também, pela minha presença lá.

SITE: O senhor já era envolvido com atividades sociais na Diocese de Abaetetuba?

DOM FLÁVIO: Elas são muitas, mas eu destaco os atendimentos médicos para a população das ilhas e as escolas públicas que são administradas e construídas pela Diocese.

SITE: Como foi essa disputa?

DOM FLÁVIO: No total, 117 delegados participaram do processo de eleição. Eu recebi 74 votos e Dom Guilherme Werlang, da Diocese de Ipameri (GO), ficou com 43. Cada regional apresentou 2 candidatos. Aqui, indicaram o Dom Bernardo, da Diocese de Óbidos, e eu. No final, éramos três disputado em nível nacional, e, eu venci.

SITE: Há alguma exigência para ser um presidente da Cáritas?

DOM FLÁVIO: A exigência para ser um presidente é a de que o cargo seja ocupado por um bispo.

SITE: E como ficarão suas atividades na Diocese de Abaetetuba?

DOM FLÁVIO: Eu vou ter de conciliar as atividades da Diocese de Abaetetuba com os trabalhos na presidência, mas acredito que conseguiremos trabalhar bem, pois dividiremos o trabalho. Há, além de mim, uma vice-presidente e diversos outros companheiros. Eu continuarei morando em Abaetetuba e me deslocarei esporadicamente aos outros estados para resolver alguns assuntos.

SITE: E o seu cargo de secretário executivo da CNBB Norte 2?

DOM FLÁVIO: O novo cargo não me atrapalhará nesse cargo. Acredito que eu vou conseguir conciliar tudo.

SITE: Como e quando iniciou o seu interesse pela Cáritas?

DOM FLÁVIO: O meu interesse pela Cáritas começou logo quando eu fui nomeado bispo. Eu já trabalhei com a Pastoral Vocacional, mas sempre gostei do lado social.

SITE: Qual será o diferencial desse novo trabalho?

DOM FLÁVIO: O diferencial será, em relação aos outros, a dimensão nacional.

SITE: Qual será o seu foco como presidente?

DOM FLÁVIO: Meu foco e minhas metas na nova missão serão o cumprimento da diretriz estabelecida na última Assembleia Nacional, que ocorreu no período de 9 a 12 de novembro. Essa diretriz diz exatamente assim: ‘compromisso com a construção do desenvolvimento solidário sustentável e territorial, na perspectiva de um projeto popular de sociedade democrática’.

http://www.arquidiocesedebelem.org.br/interno/preview_abrir_noticia.php?noticiaid=420&linkid=68&categoriaid=3


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Dom Flávio Giovenale - Eleito novo presidente da Cáritas Brasileira

Dom Flávio Giovenale, da Diocese de Abaetetuba, no estado do Pará, foi eleito com 63% dos votos para ocupar o cargo de presidente da entidade nos próximo quatro anos. No total, 117 delegados participaram deste processo. Dom Flávio recebeu 74 votos e dom Guilherme Antônio Werlang, da diocese de Ipameri (GO), ficou com 43.

O processo eleitoral foi realizado durante o IV Congresso e XVIII Assembleia Nacional da Cáritas Brasileira realizado em Passo Fundo (RS).

Anadete Gonçalves Reis foi reeleita para a vice-presidência da entidade com 99% dos votos.

Perfil

O Bispo de Abaetetuba é sacerdote católico da ordem dos salesianos, originário da cidade de Murello, Itália, nascido no dia 06 de maio de 1954.

Estudou Filosofia no Instituto Salesiano de Filosofia e Pedagogia em Lorena, São Paulo entre os anos de 1975 e 1976 e Teologia no Instituto Teológico Pio XI, também em São Paulo, entre 1978 e 1981. Pós graduou-se na Universitá Pontificia Salesiana (Fac. Spiritualitá) em Roma (1984-1985).

Declarou seus votos religiosos em 8 de setembro de 1971 e sua ordenação Presbiteral ocorreu em 20 de dezembro de 1981 em Murello (Itália). Foi ordenado Bispo em 8 de dezembro de 1997 assumindo a Diocese de Abaetetuba.

Antes de ser nomeado Bispo, Dom Flávio Giovenale trabalhou na Pastoral Vocacional no Estado do Pará de 1982 a 1983, foi Reitor do Seminário Menor em Manaus (AM) entre os anos de 1986 a 1989, retornando novamente ao cargo de Reitor do Seminário Maior em Manaus durante um ano (1990-1991); foi Ecônomo da Província de 1992 a 1997 e Procurador Missionário para o Brasil nos anos de 1994 a 1997.

Como Bispo exerceu o cargo de Secretário Executivo nos anos de 1999 a 2003 e Presidente de 2004 e 2007 do Regional Norte 2 da CNBB. Este ano Dom Flávio foi eleito a assumir, pela segunda vez, o cargo de Secretário Executivo da CNBB Norte 2 .

Equipe de Comunicação Cáritas Brasileira

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Quem Dera Ter Esses Exemplos....

Na igreja evangélica......

Bispos ameaçados

Por lutarem contra a exploração sexual de crianças e adolescentes, religiosos do interior do Pará viraram alvo de quadrilhas que aliciam as meninas

(Francisco Alves Filho)

Nos últimos anos, as denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil têm se multiplicado. Como resposta, o poder público, as organizações não governamentais e os religiosos se uniram em campanhas contra as quadrilhas. Esse embate, no entanto, não é fácil e em pelo menos um recanto do País enfrentar o problema representa sério risco de vida: o interior do Pará. Ali, em pequenas cidades onde a pobreza torna mais fácil o trabalho dos aliciadores de menores e os matadores de aluguel cedem sua mão de obra por poucos reais, os principais porta-vozes da luta contra as quadrilhas são bispos católicos. Instalados há décadas na região, os religiosos sabem muito bem que quem atravessa no caminho dos criminosos vira alvo. No episódio mais recente, há quatro meses, o bispo de Marajó, dom José Luiz Ascona, 71 anos, foi avisado pela Polícia Federal que bandidos articulavam uma ação contra ele. Apesar disso, dispensa a segurança que os agentes lhe oferecem. “Que direito eu tenho de colocar em risco um pai de família?”, questiona o bispo. “Diante da morte, que pode chegar a qualquer momento, Deus me dá coragem.” Além de Ascona, também os bispos de Abaetetuba, dom Flávio Giovenale, e Altamira, dom Erwin Krautler, lutam contra a exploração sexual e sofrem ameaças por isso.

Como se não bastasse o crime, a faixa etária das crianças que sofrem abusos ou se prostituem tem baixado cada vez mais. Em um dos últimos episódios, descobriu-se uma menina de 8 anos que sofria violência sexual. Algumas vezes, as crianças e adolescentes trocam dinheiro por sexo com a aprovação das próprias famílias, que geralmente sofrem com a pobreza. “Há pais que sabem e outros que fingem não saber, pois se beneficiam da renda que as adolescentes levam para casa”, conta dom Flávio Giovenale, 57 anos, bispo de Abaetetuba, que fica a 60 quilômetros de Belém. Na cidade, formada por várias ilhas fluviais, o tráfego descontrolado de barcos favorece o tráfico de pessoas. Muitas jovens são levadas para o Amapá e depois cruzam a fronteira para o Suriname e para a Guiana, onde são submetidas à prostituição e ao trabalho escravo. Dom Giovenale não tem dúvida quanto à periculosidade das quadrilhas. “Aqueles que promovem a exploração sexual e o tráfico de pessoas são os mesmos que traficam drogas e armas”, diz. Apesar disso, segue o padrão de seu colega de Marajó e, mesmo denunciando constantemente a ação desses criminosos, não lança mão de segurança. “Não gostaria de morrer, mas não acho que seja o caso de andar cercado de agentes”, argumenta. A última ameaça clara contra ele aconteceu no ano passado.

Dos três, o bispo de Altamira é o único que recorre a policiais para manter longe os bandidos. Isso acontece porque dom Erwin Krautler, 72 anos, sempre fez questão de marcar sua posição em várias questões candentes. Ele denunciou conflitos agrários ao lado de Dorothy Stang, foi um dos primeiros a se posicionar contra a construção da usina de Belo Monte e fez, há alguns anos, a acusação de que crianças e adolescentes eram vítimas de exploração sexual por parte de políticos importantes da região. Isso lhe rendeu ameaças de todos os tipos que continuam até hoje e o obrigam a lançar mão de quatro policiais para garantir sua integridade. “Meus inimigos têm desejo de enriquecimento rápido e não duvido que não hesitariam em passar por cima do meu cadáver”, diz ele.

A luta dos bispos tem rendido frutos. Nos últimos anos, a ação da polícia se tornou mais frequente e vários setores da sociedade paraense estão se engajando no combate. Na última semana, os empresários do ramo hoteleiro do Estado criaram um código de conduta para evitar o chamado turismo sexual, prática que pode aumentar bastante durante a realização da Copa de 2014. Outra iniciativa importante vem do governo federal. A Secretaria de Direitos Humanos prepara um pacote de ações para prevenir a exploração sexual em áreas como Belo Monte, já que normalmente a migração intensa de operários em obras de grande porte resulta no aumento da prostituição. “Nossa atitude é totalmente preventiva, estamos planejando ações de fortalecimento dos conselhos tutelares e há uma operação já organizada para a região”, adiantou a ministra Maria do Rosário. A SDH é responsável pelo Disque 100, número que recebe reclamações de violações de direitos humanos e principalmente de exploração sexual. A ideia é boa, mas no Pará ainda não pegou. “É difícil fazer divulgação desse tipo de serviço aqui. Em muitos lugares do interior o telefone simplesmente não funciona”, explica dom Flávio Giovenale.

Como solução para o problema, os religiosos sugerem duas providências: prevenção e repressão. A primeira parte ficaria por conta das políticas de educação e criação de emprego e renda. A segunda, por conta da polícia. “De qualquer forma, notamos que as pessoas estão mais atentas ao problema. Antes muitos fingiam que não viam”, afirma dom Ascona. Para ele, esse é o primeiro estágio para a solução: “Sem conhecer a verdadeira dimensão do problema, não há como remediá-lo.”

http://www.istoe.com.br/reportagens/156702_BISPOS+AMEACADOS

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http://amadavi.blogspot.com/

"Perdoar é abrir mão da esperança de que o passado poderia ter sido diferente."

Por: Luciana em Seg Set 05, 2011

http://sola-scriptura.forumeiro.com/t634-quem-dera-ter-esses-exemplos

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Turismo e exploração sexual. Um problema social brasileiro. Entrevista especial com Dom Flávio Giovenale

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“A situação da miséria é tão intensa, que o fato de alguém da família se prostituir por um determinado período é uma situação considerada normal”, declara Dom Giovenale, bispo de Abaetetuba, que há anos denuncia crimes de turismo e exploração sexual na Amazônia. Segundo ele, a miséria é a principal causa que leva as pessoas a se prostituírem. “Aqueles que moram no interior dos estados da Amazônia não têm perspectiva de vida. As capitais dos estados concentram a força econômica, enquanto os municípios do interior vivem do funcionalismo público, das aposentadorias e do Bolsa Família”, relata em entrevista concedida à IHU On-Line por telefone.

Além da prostituição local, D. Giovenale diz que cresce o índice de vítimas do turismo sexual organizado por agências da região. Segundo ele, os jovens são levados à Guiana Francesa e ao Suriname, onde vivem como escravos em garimpos e bordéis. “Depois de migrarem para esses países, é difícil retornar porque para isso é preciso dinheiro. (...) Poucas pessoas conseguem superar a condição de miséria dos garimpos, pois estes locais são extremamente controlados”.

D. Flávio Giovenale, SDB, é bispo de Abaetetuba, Pará. Ele é um dos bispos ameaçados de morte por denúnciar o tráfico humano. Ele sempre é acompanhado por agentes de segurança. Confira a entrevista:

Turismo e exploração sexual. Um problema social brasileiro. Entrevista especial com Dom Flávio Giovenale

IHU On-Line – Desde quando acontece turismo sexual no Brasil? Quais são as razões que favorecem essa prática?

Dom Flávio Giovenale – Há dezenas de anos. Mas, nos últimos 15 anos, o turismo sexual se intensificou nas regiões Norte e Nordeste. Antes, as vítimas eram mulheres, mas, agora tem se intensificado o turismo sexual infantil.

Na verdade, o turismo é um meio utilizado para praticar a prostituição. Os estrangeiros, especialmente americanos e europeus, que se envolvem nesse tipo de turismo querem satisfazer seus extintos com “pessoas exóticas”. Eles pensam que o Brasil é o país do sexo e do paraíso. Há alguns anos, a propangada federal brasileira contribuía para intensificar esse crime no país, pois apresentava o Brasil com imagens de mulheres e passava a ideia de que no país tinha “mulher fácil”. O nome Amazônia é algo mágico para os estrangeiros e eles gostam de dizer que fizeram sexo com uma pessoa da região.

Outra causa que facilita o ingresso de estrangeiros no país é a falta de controle policial. Portanto, passa-se a ideia de que no país é possível praticar um crime e ficar impune. Além disso, cresce, no mundo, uma propaganda em vista “do prazer custe o que custar” e algumas pessoas acabam priorizando o prazer.

IHU On-Line – Quais são os motivos que levam as pessoas a se prostituírem?

Dom Flávio Giovenale – Na Amazônia, a grande causa que leva as pessoas a se prostituírem é a miséria. Aqueles que moram no interior dos estados da Amazônia não têm perspectiva de vida. As capitais dos estados concentram a força econômica, enquanto os municípios do interior vivem do funcionalismo público, das aposentadorias e do Bolsa Família. Escutamos relatos que são inacreditáveis: pessoas trocam uma relação sexual por um cachorro-quente. É triste dizer isso, mas as pessoas se submetem a essa situação porque sentem fome.

Muitas meninas recebem propostas de morar na cidade para poder estudar e trabalhar em casas de família; mas, quando chegam ao local, se transformam em escravas sexuais. Elas são ingênuas e desconhecem a realidade. Por outro lado, alguns jovens pensam que a única perspectiva de vida é a prostituição. E, ao escolher entre ser prostituta do interior, passando fome, ou ser prostituta nos grandes centros, preferem migrar para as cidades com a esperança de não passar fome.

IHU On-Line – Na região também cresce o tráfico sexual entre a classe média?

Dom Flávio Giovenale – De vez em quando aparece alguma denúncia em relação à classe média. Porém, o tráfico sexual é muito forte em algumas regiões como a Ilha de Marajó – nesses locais há uma união entre miséria e organizações criminosas. Não sei dizer se aumentou o tráfico sexual ou se aumentaram as notícias e o interesse em investigar esses casos de prostituição.

IHU On-Line – Qual é o destino das vítimas do tráfico sexual? Existem rotas internacionais que favorecem a intensificação desse crime?

Dom Flávio Giovenale – Na região oriental da Amazônia, onde ficam os estados do Pará e Amapá, tem um destino que liga a Goiás, e de Goiás as pessoas são levadas para a Europa. A outra rota é por meio da Guiana Francesa e Suriname. Nesses dois países existem comunidades brasileiras clandestinas, que trabalham em garimpos. As vítimas do tráfico sexual são levadas a esses locais e trabalham em bordéis, garimpos, nas periferias das cidades e nas capitais.

IHU On-Line – Essas pessoas costumam retornar para o Brasil?

Dom Flávio Giovenale – Pouquíssimas. Voltam aquelas que são resgatadas pela polícia, mas, geralmente chegam ao país com pouca perspectiva de vida. Depois de migrarem para esses países, é difícil retornar porque para isso é preciso dinheiro. Algumas pessoas deixam de ser exploradas e passam a ser aliciadores, tornando-se subchefes do tráfico. Poucas pessoas conseguem superar a condição de miséria dos garimpos, pois estes locais são extremamente controlados. Nos bordéis, normalmente as mulheres são tratadas como escravas e são vigiadas.

IHU On-Line – O turismo sexual se configura como um problema social no Brasil? Em sua opinião, a sociedade e o Estado estão dando a devida atenção a esse problema?

Dom Flávio Giovenale – Nos últimos anos, aumentou a consciência de que o turismo sexual é um crime, tanto que a propaganda do Brasil no exterior foi alterada no sentido de mostrar as belezas naturais, sem apelo sexual. Também existe no país um desejo de mudança e um sentimento de revolta, porque os brasileiros não querem ser vistos como um “povo fácil”. Além disso, há um empenho positivo do governo contra o turismo sexual por meio de campanhas. Por isso lhe digo que não sei dizer se há um aumento do tráfico sexual ou se agora as autoridades estão descobrindo o que acontece. Em minha avaliação, a descoberta de casos de turismo e de exploração sexual demonstra que a luta contra os crimes está sendo eficaz.

IHU On-Line – Como a população reage diante do turismo sexual e da exploração sexual na região da Amazônia e do Pará? As pessoas costumam denunciar esses casos?

Dom Flávio Giovenale – A grande maioria da população reage com indignação. Mas a situação da miséria é tão intensa, que o fato de alguém da família se prostituir por um determinado período é uma situação considerada normal. É triste dizer isso, mas em algumas famílias todas as mulheres já se prostituíram. Geralmente, a história começa com a mãe; depois continua com a irmã mais velha, que ao completar 18 anos deixa de se prostituir porque chegou a vez da irmã mais nova, de 12 anos. Essas são situações localizadas, onde a venda do sexo para pessoas da região ou para turistas se torna uma atividade normal.

IHU On-Line – A construção de megaobras no Pará e na região tem favorecido a violência sexual?

Dom Flávio Giovenale – Todas as grandes construções implicam um deslocamento muito grande de pessoas. As fazendas da região também estão recebendo um aglomerado de homens, porque um projeto de biodiesel, coordenado pela Petrobras em 38 municípios do Pará, gera uma movimentação de milhares de pessoas na região, que migram para trabalhar nas plantações de dendê.

Nos dias de pagamento, as vilas dos agricultores enchem de prostitutas, que se prostituem de sexta a domingo. Muitos dos trabalhadores dessas grandes obras veem na prostituição uma diversão para final de semana. Essa á uma realidade que se repete em todos os grandes empreendimentos. Recentemente, li uma notícia de que o governo brasileiro está preocupado com os futuros eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas no sentido de evitar a prostituição.

IHU On-Line – Como vê a legislação e a fiscalização da exploração sexual e do turismo sexual no país?

Dom Flávio Giovenale – O Brasil está firmando vários acordos internacionais com países como Inglaterra, França, Itália para prevenir o tráfico sexual. Então, por exemplo, se um italiano abusar sexualmente de uma menina brasileira, o crime será julgado na Itália como se tivesse sido feito com uma menina italiana.

Há alguns anos, dois aviões fretados com turistas que tinham conotação sexual chegaram a um aeroporto brasileiro e, imediatamente, a polícia os mandou de volta para o país de origem. Penso que o Brasil não está fechando os olhos para o problema. Essa violência tem que ser tratada como um crime contra a humanidade.

IHU On-Line – Recentemente, jornais americanos repercutiram o envolvimento de empresas americanas com turismo sexual no Brasil. O senhor sabe dizer que empresas são essas?

Dom Flávio Giovenale – Li que a Polícia Federal está investigando uma agência americana de turismo, que tem base em Manaus. Essa empresa organizava um pacote turístico que incluía turismo sexual. Não vejo essa notícia como algo estranho porque o turismo sexual não se organiza sozinho; tem o apoio de agências. Alegro-me quando esses casos são descobertos e espero que os aliciadores sejam punidos.

IHU On-Line – O senhor continua sendo ameaçado de morte em função das denúncias que fez sobre o turismo sexual na Amazônia?

Dom Flávio Giovenale – Há dois anos e meio não recebo mais ameaças. Depois da divulgação de que eu estava sendo ameaçado, parei de receber mensagens. Recebo bastante apoio do povo e das autoridades que moram na região. Sinto-me bem trabalhando na comunidade e espero continuar meu trabalho com serenidade.

Créditos: http://lucimarbueno.blogspot.com/

Blog da Lucia

Lucimar Moreira Bueno - E-mail: Barbimuzenza@yahoo.com.br

sábado, 27 de novembro de 2010

Peregrinos em busca da Eucaristia

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A forte chuva não desanimou os participantes do I Congresso Eucarístico da Diocese de Santa Maria Mãe de Deus, em Castanhal. Antes das 15h, os ônibus começavam a chegar. O número de pessoas vindas de outras cidades refletia o êxito do ano eucarístico. Eram centenas de corações ansiando por conhecer mais profundamente Cristo presente na Eucaristia.

Desde cedo, as famílias castanhalenses se preparavam para acolher os participantes das 31 paróquias da Diocese. A leiga Francisca Tavares, de Nova Timboteua, disse ter ficado admirada com a solidariedade dos que estavam acolhendo os visitantes e a disposição destes em partilhar suas casas. "Todos queriam fazer com que nos sentíssemos acolhidos, como se estivéssemos em nossos lares. As famílias estavam alegres e solícitas em nos receber", conta.

A irmã Rute Lima, da Paróquia de São José, destacou que, durante o Congresso, se pode "perceber a fé do povo junto de Jesus Eucarístico, uma fé poderosa. Um verdadeiro momento de união, partilha e oração. Foi emocionante".

No domingo, a procissão com Cristo Eucarístico, saindo da igreja de São José até a Catedral, levou centenas às ruas da cidade. Raimundo Santos, de Primavera, falou que "foi muito bonito ver aquela multidão seguindo Cristo. Depois das palestras do sábado, nada melhor do que ver o povo mostrando seu amor à Eucaristia". Na celebração de encerramento, na Praça dos Doze Apóstolos, Dom Carlos Verzeletti fez o envio dos missionários, reafirmando a mensagem principal do hino do I Congresso Eucarístico: "O teu povo a caminho busca em Ti o guia. Nas estradas rumo ao reino é sustento o teu corpo. Fica sempre conosco, ó Senhor".

Os congressistas foram divididos em quatro plenárias. Dom Flávio Giovanele, de Abaetetuba, falou sobre "Eucaristia e Caridade", mostrando "Jesus que se doa a nós e nós que nos doamos a Jesus". À noite, houve a Santa Missa presidida por Dom Vicente Zico. Durante a celebração representantes das quatro foranias, que constituem a diocese, ajudaram a montar o símbolo do Congresso em um painel, refletindo a aliança que Deus faz com o seu povo e que mantém até o fim, "Felizes os convidados às núpcias do Cordeiro".

segunda-feira, 12 de abril de 2010

ad Limina Apostolorum

Cidade do Vaticano, 12 de abril - Tem início hoje a visita "ad Limina Apostolorum" dos bispos dos Estados do Pará e do Amapá.

Nesta segunda-feira, o Papa recebe quatro bispos: Dom Flavio Giovenale, de Abaetetuba; Dom Alessio Saccardo, de Penta de Pedras; Dom Jesús María Cizaurre Berdonces, Prelado de Cametá; e Dom Bernardo Johannes Bahlmann, Prelado de Óbidos.
Entre os inúmeros compromissos, visitando os organismos da Santa Sé, os bispos participam na quinta-feira, às 16h30, na sede da Rádio Vaticano, de uma coletiva de imprensa.
A coletiva será centralizada nos seguintes temas: desflorestamento selvagem e avanço do capital na região; os projetos de iniciativa pública e privada e suas conseqüências prejudiciais; a questão dos índios; a situação da população negra e dos habitantes ribeirinhos; o agro-negócio e as usinas hidrelétricas. No campo social, destaque para o tema da prostituição infantil e para o tráfico de seres humanos.