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Reunidos na 46ª Assembleia Geral da CNBB em Indaiatuba, São Paulo, os bispos pediram investigações e protecção para os ameaçados e manifestaram indignação face à violência e à perseguição dos religiosos.
"Em Cristo somos um só com eles e com as pessoas que eles defendem: os povos indígenas, as mulheres, crianças e adolescentes que o tráfico de seres humanos instrumentaliza, que a exploração sexual vende e as drogas matam. Apoiamos também seu empenho na defesa do meio ambiente", destaca o comunicado da CNBB.
Um dos bispos ameaçados, D. Erwin Kräutler, de Xingu, disse hoje à Lusa que esse apoio da CNBB é muito importante.
"A solidariedade da CNBB nos encoraja e fortalece a nossa luta", declarou.
Além do bispo de Xingu, também receberam ameaças de morte D. José Luiz Azcona Hermoso, de Marajó, e D. Flávio Giovenale, da diocese de Abaetetuba, todos no Estado do Pará, no norte do Brasil.
Segundo D. Erwin, as ameaças chegam através de cartas anónimas, da Internet e também por telefone.
"Eu conto com a protecção da Polícia Militar do Pará já há quase dois anos, 24 horas por dia. Sinto-me cerceado no direito de ir e vir e também na minha missão de bispo, mas não me deixo intimidar pelas ameaças", contou à Lusa o religioso que nasceu na Áustria.
Para D. Erwin, as ameaças prendem-se com o seu empenhamento em defesa da Amazónia, dos povos indígenas e contra a destruição da floresta.
"Há gente que quer enriquecer de uma hora para a outra às custas da Amazónia, sem respeitar o seu povo e o meio ambiente. Não podemos permitir isso", afirmou o bispo.
Outra razão apontada por dom Erwin é a sua posição firme contra a implantação da hidroeléctrica Belo Monte na região.
"Há estudos aprofundados da Universidade de Campinas (Unicamp) que indicam a inviabilidade do projecto, já que o rio Xingu, durante quatro meses ao ano, não tem condições de fazer funcionar todas as turbinas. Além disso, a população local nunca é consultada sobre este projecto", explicou.
D. Erwin acredita que a sua "intransigente exigência" para que fosse feita justiça no caso do assassínio da freira Dorothy Stang seja outra das causas das ameaças.
A missionária Dorothy Stang, 73 anos, norte-americana naturalizada brasileira, era conhecida pela sua luta em defesa da floresta Amazónica e trabalhou durante dois anos com D. Erwin.
A freira actuava há quase 30 anos na região amazónica e foi executada no dia 12 de Fevereiro de 2005 com seis tiros à queima-roupa em Anapu, a 600 quilómetros de Belém, à beira da Transamazónica, estrada que rasga a selva tropical.
As ameaças mais fortes dirigidas a D. Erwin tiveram início em 2006, quando o bispo de Xingu denunciou uma quadrilha que abusava sexualmente de meninas de 12 a 16 anos, e não pararam mais.
Em Fevereiro último, o religioso soube que há até um prémio de um milhão de reais (375 mil euros) para quem o matar.
"Eles querem vencer-me pelo terrorismo psicológico, mas não me intimidam. Nunca perdi a minha paz interior. E se concretizarem a outra hipótese (morte), já que na Amazónia é fácil arranjar um pistoleiro, a vida deles também vai acabar", salientou o bispo.
D. Erwin Kräutler protestou contra a ausência do Estado na Amazónia e criticou igualmente o Poder Judicial brasileiro.
"A Amazónia é uma terra sem lei. Verificamos a ausência do Estado em várias regiões da Amazónia e o Judiciário no Brasil está muito aquém do que se espera", concluiu.
CMC.





