Mas antes de qualquer argumento, quero discorrer um pouco sobre o “poder”. A busca obsessiva pelo poder e sua manutenção é o que motiva alguns seres humanos a ingressarem numa verdadeira batalha em nome da sonhada democracia. Travam uma guerra que deveria ser uma verdadeira festa, não fosse o desespero pelo alcance do “poder”. Deliciar-se na seiva que emana do “poder de governar” tem um preço alto. O poder muitas vezes permite a uma pessoa (ou grupo) a possibilidade de esculpir seu(s) nome(s) na história, seja para o bem ou para o mal. Para o mal muitas vezes “sim”, pois há fragilidade em uma democracia que ainda engatinha frente à sede de muitas bocas pela “seiva açucarada” que alimenta o padrão capitalista neoliberal de governar. Até o voto virou capital (mas isso é outra história). É por ela – a “seiva rara” – que a batalha entrou na esfera do vale tudo. E digo com segurança: São poucos os seres humanos preparados para lidarem com o poder e não serem por ele dominado. Pois o poder tem vida própria e domina. Ah, sim, domina!O poder, assim como um imã, atrai para si muitas coisas (...).
Papo furado de lado, vamos ao que interessa! Mas antes peço aos Leitores que, como eu, abstenham-se neste momento de análise de qualquer amor, carinho, afinidade ou causa política, em obséquio do óbvio: A razão!
Dilma Rousseff: Sem dúvida, a mulher mais preparada deste país para assumir a presidência do Brasil. Foi indicação do próprio Lula que, queiram ou não, foi o melhor presidente da história deste país, por isso fez sua sucessora, Dilma. Ela tem a biografia de uma mulher inteligente e lutadora e, convenhamos, Lula tem bagagem, pois promoveu a maior transformação social do Brasil em sua história (favor não confundir transformação social com transformação econômica). Foi Lula quem iniciou um processo ímpar, ao permitir ao cidadão miserável desta nação a tão sonhada cidadania plena. Claro que isso teve impacto financeiro para a classe média deste país, mas penso que não teria outra maneira de fazer (e eu também sou classe média). Talvez porque Lula um dia tenha tido uma vida miserável no Nordeste. Resumindo: Falar de Dilma é falar de Lula. Lula é Dilma e Dilma é Lula e, não tenham dúvida, que Dilma vai continuar a risca o legado de Lula. Lula mais uma vez demonstrou que é o cara. Dilma (Lula) derrotou a imprensa suja e a grande mídia golpista deste país. Derrotou uma campanha de difamação nunca antes vista na nossa história. Resta agora a Dilma trilhar seu caminho e fazer sua história. Instrumentos para isso ela possui. Particularmente, penso que Dilma será uma grande presidente para o Brasil e que conseguirá cumprir a promessa de erradicar a miséria deste país (pelo menos torço para isso).
José Serra: Sem dúvida, o homem mais preparado deste país para assumir a presidência do Brasil. É um político de grandes projetos e de grandes feitos. Inteligentíssimo. Um mestre na arte da política (que errou feio ao aceitar Índio como seu vice de chapa). Sério ao extremo, o que prejudica o seu carisma. Muito afinado com os ideais políticos de seu partido, Serra, caso eleito, provavelmente faria mudanças de médio prazo na política econômica e social do país. Sua vitória foi ter conseguido passar ao segundo turno, o que considero positivo. Serra foi derrotado pela intuição e sorte de Lula. Penso que nenhum político do sexo masculino, dentro dos quadros do PT conseguiria derrotar o PSDBista. Serra foi derrotado por Lula e pelo slogan “Agora é a vez da mulher”.
Lula empatou em 3 x 3. Agora são três eleições perdidas, contra três ganhas.
Simão Jatene: Hoje, um político competente na arte da política. Simão Jatene aprendeu direitinho com seu mestre Almir Gabriel. Jatene é grato a Almir, seu “criador”, tanto que abertamente diz que prefere guardar as boas lembranças de Gabriel. Jatene fez carreira antes de entrar para política como servidor público, o que lhe garantiu base sólida para a política. Adquiriu grande sensibilidade na música que, certamente, soube transferir para a política e para sua campanha vitoriosa. Jatene foi um governador mediano, de obras vistosas e de pouco destaque para o social. Na verdade, Jatene nunca governou o Pará a seu modo. Penso que Jatene quando governador foi apenas seguidor do modelo Almir Gabriel de governar. Jatene agora tem sua chance. Uma chance construída com muita competência. A campanha de Jatene poderia até ser estudada a fundo para construção de uma tese de doutorado em ciências econômicas. Um misto exemplar de eficiência e eficácia política (neste caso, Abaetetuba não entraria na pesquisa, pois por aqui foi um misto de desperdício). Jatene fez seu Senador e sai fortalecido para governar. Sua base eleitoral forte de atuação deve ser a Região Metropolitana e o Sul do Pará, seu eleitorado fiel (claro que isso apenas, na prática).
Ana Júlia: Uma mulher de fibra e garra que não estava preparada para governar o Pará, hoje está, mas não irá governar. É a frase que penso que resume perfeitamente Ana Júlia. O detalhe é que o povo raramente dá uma segunda chance pra alguém na política. Ana Júlia sentiu isso na pele. Para Abaetetuba, o melhor governo dos últimos anos, demonstrado espontaneamente nas urnas pelos Abaetetubenses que lhe dariam a vitória no primeiro turno. E apesar do escândalo da garotinha presa com homens por aqui, Ana Júlia soube valorizar os votos que obteve de Abaeté (claro, não fez mais que a obrigação). Sua campanha foi vacilante, a exemplo de seu governo e sua capacidade de governar. Foi incapaz de mostrar resultados concretos. Suas alianças foram infelizes, sobretudo com o prefeito de Belém. Enfim, Ana Júlia desperdiçou uma chance que talvez o PT demore muito tempo a ter novamente no Estado do Pará: Uma dobradinha vitoriosa com o governo federal. Um duro golpe no PT do Pará, cheio de tendências mirabolantes que fatiam o partido, fragilizando-o e expondo suas vísceras e pontos fracos. Ana Júlia irá refletir agora seus erros e seus acertos. O povo deu seu recado nas urnas no primeiro turno, praticamente selando a vitória de Simão Jatene.
Abaetetuba: Lugar belo e aconchegante, abundante de homens e mulheres fortes e valentes, que sabem responder nas urnas a realidade em que vivem. Isto, pois, está provado!







