quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Alunos protestam por educação de qualidade

Os alunos da Escola de Cidadania da Pastoral do Menor de Abaetetuba organizam, na manhã desta sexta-feira um ato público para reivindicar seu direito à educação. Os alunos farão caminhada partindo da Praça de Conceição até a 3º Unidade Regional de Ensino (URE) do município.

O ato foi pensado e organizado pelos alunos da escola e tem o propósito de exigir posicionamento do governo para garantir ensino de qualidade. Os jovens contaram com o apoio de professores e coordenadores da pastoral.

De acordo com Daniela Alves, aluna do 1º ano do ensino médio, cerca de trinta alunos estão participando da caminhada. “Com essa iniciativa queremos reivindicar nosso direito à educação e qualidade de ensino” afirma a jovem.

Os adolescentes apoiam o pagamento do piso salarial dos professores, mas exigem que a greve não os prejudique ainda mais. “O nosso calendário letivo já estamos muito atrasado. Entendemos e apoiamos as solicitações dos professores mas precisamos retomar as aulas” finalizou Daniela.

http://www.radiomargarida.org.br/2011/11/18/alunos-de-abaetetuba-protestam-por-educacao-de-qualidade/

Voltamos!

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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A artesã Nina Abreu, de Abaetetuba, participa do documentário Miriti-Miri, de Andrei Miralha

Como parte da programação de cinema dedicada ao público infantil no período do Círio de Nazaré, acontecerá na quarta-feira (12), quando se comemora o Dia da Criança, a Mostra Cineminha no Círio, a partir das 15h, no OI Cine Estação, com entrada franca. A mostra será aberta pelo longa metragem “O Achado de Plácido”, de Alexandre Silva, ficção que faz referência a Plácido José de Souza, o caboclo que achou a imagem da Virgem de Nazaré à margem do igarapé Murutucu, com vários elementos do imaginário local.

Em seguida será exibida a animação "O Rapto do Peixe Boi", de Cássio Tavernard e Rodrigo Aben-Athar, no qual o caranguejo, o camarão e candirus (peixe da Amazônia) partem em uma aventura para resgatar um amigo, o peixe-boi, responsável por transportar o "Pipipipiramutaba", uma grande aparelhagem de som.

O documentário Miriti-Miri, de Andrei Miralha, aborda as questões: De onde vêm os brinquedos de miriti? Quem faz? Como surgiram? Em imagens documentais, o filme focaliza este importante ícone da cultura paraense.

Ainda de Andrei Miralha serão exibidas as animações "Nossa Senhora dos Miritis" e "Admirimiriti". O primeiro se passa às vésperas do Círio de Nazaré, quando uma artesã de brinquedos de miriti tenta pagar a promessa de fazer sozinha uma procissão inteira em miriti. Mas, cansada, ela acaba dormindo e um milagre acontece. O segundo, mais conhecido pelo público, tem como cenário a Feira do Miriti, onde os brinquedos ganham vida e um boneco dançarino de brega perde a cabeça e a parceira. Sozinho, tenta brincar com outros brinquedos, mas um ato de coragem pode salvar seu dia.

Serviço: Cineminha no Círio. Dia 12 de outubro, a partir das 15h, no OI Cine Estação. Entrada franca.

Augusto Pacheco - Secult - http://www.agenciapara.com.br/noticia.asp?id_ver=85470

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

“O ser humano é um animal político!”


O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-Estado. Por extensão, poderia significar tanto cidade-Estado quanto sociedade, comunidade, coletividade e outras definições referentes à vida urbana. O livro de Platão traduzido como "A República" é, no original, intitulado "Πολιτεία" (Politeía).

Na nossa outrora Terra da Cachaça, hoje cidade do Brinquedo de Miriti, a Politeía (política) anda a mil por hora. Então, vamos depressa analisar o cenário político da última “volta”, considerando é claro que a carruagem está andando. Neste contexto, o que é certo hoje poderá ser errado amanhã e vice versa.

Iremos nos deter no resultado das duas últimas eleições (2008 e 2010) para contextualização dos prováveis candidatos.

Em 2008, concorreram na ordem de melhor desempenho:

1º. Francineti (PSDB) e Ronald (PV);

2º. Luiz Lopes (PT) e Afonso Sarges (PTB);

3º. Zé Miguel (PR) e Tia Biga (DEM);

4º. Vicente Maciel (PMDB) e João de Deus (PDT)

5º. Guilherme (PSOL) e Raimundinho (PSOL).

As articulações atuais indicam que nenhuma dessas duplas irão se repetir em 2012.

Nas eleições de 2010, que foram eleições estaduais e federais, tivemos como destaque a eleição do Deputado Federal Miriquinho Batista (PT). Outros nomes de representantes “Abaetetubenses” que participaram, com coragem, das eleições (em ordem alfabética) foram:


- Antônia Botelho (PC do B) - Deputada Estadual

- Cláudio Rodrigues (PSC) - Deputado Estadual

- J. Lino (PRB) - Deputado Estadual

- José Nery (PSOL) - Deputado Estadual

- Pipico (PT) - Deputado Estadual

- Vicente Maciel (PMDB) - Deputado Federal

- Vieirinha (PSB) - Deputado Estadual


Alguns fatos do cenário atual:


Desgaste evidente do governo municipal e, consequentemente, do PSDB e da atual prefeita, ao que tudo indica tentará a reeleição. O partido articula uma chapa forte no proporcional, com nomes já tarimbados (para o bem e para o mal) em eleições anteriores. O partido tem a força da máquina municipal e estadual. Entretanto, terá de “nadar contra a maré” de uma administração apagada.


O PT encontra-se em articulação. O principal representante para tentar aproximar o partido da máquina federal seria o Deputado Miriquinho, que até o momento ainda não demonstrou a sua força política. O ex-prefeito Luiz Lopes seria o nome natural e mais forte para concorrer às eleições. Também deverá “nadar contra a maré” para tentar apagar a imagem ainda desgastada, construída pelos dirigentes partidários de sua administração, que ainda o cercam.


O PSOL tenta viabilizar a candidatura do ex-senador José Nery. O momento talvez seja o mais propício para “rachar” a polarização das últimas eleições municipais. O PSOL é um partido experiente de outras eleições, deve imaginar que sozinho não chegará a lugar algum, por isso deve tentar a aproximação natural com partidos de centro e de esquerda, que não estejam, digamos, “à venda”, o que também constitui um verdadeiro “nado contra a maré”.


Além do PSOL, que concorreu nas últimas eleições com candidatura a deputado estadual, o PSC parece pretenso a lançar uma candidatura a prefeito. Os indicativos demonstram que o nome natural do partido seria o de Cláudio Rodrigues. Dos candidatos, talvez o nome com menos rejeição, entretanto, também deverá “nadar contra a maré” para viabilizar recursos financeiros fartos para uma possível campanha majoritária, já que o partido provavelmente nunca concorreu ao pleito.


Também existe a possibilidade do lançamento de outros nomes como: Zé Miguel (PR), Afonso Sarges (PTB), Pedro Negrão (PSB), João de Deus (PMN), Arnaldo Sereni (PSL), Raí Lima (PMDB), Ronald (PPS), entre outros. Sabe-se que ainda há muito tempo até as eleições e que a conjuntura política mudará a cada mês, com novos atores no cenário municipal e muitas articulações. Contudo, parece haver consenso de que o momento seria o mais oportuno para romper a chamada “polarização política” em Abaetetuba. Para isso, ainda há de se “nadar muito contra a maré”!


Na próxima avaliação, estaremos abordando o cenário das proporcionais!


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Mostra de artes visuais e artesanato exalta brinquedos de miriti


O universo da produção de brinquedos de miriti do município de Abaetetuba é o tema principal da exposição 'Girândolas de miritis', que será aberta nesta terça-feira (27), no Espaço Cultural Banco da Amazônia, em Belém. A curadoria da exposição está sob a responsabilidade do artista visual Emanuel Franco e contará com participação de oito artesãos locais, que produziram os brinquedos com exclusividade para a composição das instalações visuais que serão montadas nos painéis expositivos do Espaço Cultural.

Os brinquedos foram confeccionados pelos artesãos Amadeu Sarges, Célio Ferreira, Manoel Benedito Sozinho, Manoel Vilhena, Manoel Pantoja, Manoel de Jesus Sozinho, Manoel Miranda e Nina Abreu. As instalações foram desenhadas com variadas distribuições dos brinquedos nos espaços, mostrando a diversidade de formas, dimensões e cores apresentadas, com destaque às identidades estéticas de produção de cada artesão participante.

Além dos brinquedos no seu formato conclusivo, a exposição levará ao conhecimento do público visitante os processos de criação dos mesmos, desde os cortes nos braços da folha do miriti até as técnicas de modelagem e pintura. A curadoria da mostra selecionou os tipos mais comuns de brinquedos, os quais vêm se destacando como ícones de todo um conjunto que, a cada ano, associa-se aos festejos do Círio de Nazaré compondo a visualidade popular nesse período religioso.


Imagens típicas como a cobra, o tatu, as pombinhas, o casal de dançarinos, a roda gigante, as embarcações regionais, fazem parte dessas instalações. Durante o período da exposição será projetado o vídeo de animação 'Miritis', de Andrei Miralha, que faz alusão, também, a esse universo de produção artesanal.


A mostra foi incluída na programação do Banco da Amazônia relativa às festividades do Círio de Nazaré. O hall será decorado obedecendo a mesma temática da exposição e terá uma instalação com anjinhos de miriti, confeccionados pelos mesmos artesãos que participam da mostra e ilustrados por fragmentos do romance 'Girandôlas', de Daniel da Rocha Leite e fotografias de Alexandre Lima e Emanuel Franco. O design gráfico é do arquiteto Vitor Blanco.


Serviço: Abertura da exposição 'Girândolas de Miritis', nesta terça-feira (27), às 18h30, no Espaço Cultural do Banco da Amazônia - Avenida Presidente Vargas, 800 (esquina com Travessa Carlos Gomes). A entrada é franca.


Redação Portal ORM

http://www.orm.com.br/2009/noticias/default.asp?id_modulo=24&id_noticia=555254

Círio da Vila de Beja!


Aconteceu no último domingo:

Foto: http://anajuliacarepa13.blogspot.com






segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Emater estuda parceria para incrementar a produção de açaí

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater) recebeu, nesta sexta-feira (23), proposta de parceria do Instituto Açaí para atuar em conjunto no projeto Central do Açaí, que visa a melhoria da qualidade de vida dos produtores rurais do fruto dos onze municípios compreendidos na região do Baixo Tocantins, nordeste do Pará.

“Estamos conversando com vários órgãos governamentais para podermos viabilizar a execução desse projeto, que busca o desenvolvimento social, econômico e ambiental do município de Igarapé-Miri e entorno”, disse o idealizador do Central do Açaí, Armando da Costa e Silva. O projeto está orçado em R$ 25 milhões.

Técnicos da Emater que trabalham nos municípios que estão contemplados na área de abrangência do Central do Açaí ouviram com atenção a proposta do instituto. O projeto prevê a implantação de uma unidade de reaproveitamento de todos os elementos que compõem o fruto – o açaí para polpa, o próprio palmito e os resíduos de ambos –, usando casca e caroço para a confecção de adubo, ração e carvão.

Para a coleta da matéria-prima, o trabalho será em união com as cerca de 60 cooperativas dos municípios, entre cooperados e associações.

Segundo o diretor técnico da Emater, Humberto Reale, a preocupação da empresa está em inserir o pequeno agricultor, ainda não cooperado, nesta atividade socioeconômica. “Não podemos esquecer as comunidades tradicionais, como os quilombolas e ribeirinhos, que habitam a área do Baixo Tocantins e já são atendidos pela empresa, recebendo assistência técnica e extensão rural. Vamos estudar a proposta e futuramente teremos outras reuniões", disse.

A preocupação de Humberto é valida, segundo Thicyana Nunes, uma das diretoras do projeto. Ao público trabalhado serão oferecidas capacitações, certificações, benefícios sociais, inclusão social e lucratividade. Na área social, a preocupação com o produtor de açaí está para o período da entressafra, para que ele não abandone o projeto. “Vamos incentivar a piscicultura, o cultivo de horta e a produção de outras frutas”, reforçou. A ideia é chegar a um produto final que tenha como base o açaí, para atender mercados nacionais e internacionais.

O projeto Central do Açaí atenderá, principalmente, os municípios de Igarapé-Miri, Cametá, Abaetetuba e Moju. A sede ficará situada na rodovia PA-407, conhecida como a Rodovia do Açaí, onde já está implantada a Cooperativa dos Produtores de Frutas da Vila de Maiauatá (Coopfruma). “Acreditamos que um dos maiores obstáculos será para a construção civil do projeto, estimada em R$ 9 milhões. Para todo o resto temos solução. Por isso a importância de parceiros como a Emater e o governo do Estado”, finalizou Armando da Costa e Silva.


http://www.ruralcentro.com.br/noticias/47831/emater-estuda-parceria-para-incrementar-a-producao-de-acai

Policiais Militares apreendem motocicletas roubadas no Marajó

Na última segunda-feira, 19, os Policiais Militares do 8º Batalhão de Polícia Militar; 2º Sargento PM Rosiane, Cabos PM Alcântara e J. Silva e o Soldado PM Marcos Luiz, receberam denúncias de populares por meio do telefone 190. Segundo a informação, uma embarcação sem identificação estava transportando motocicletas roubadas para a localidade.

Os policiais foram até o “Bairro Novo”, no município de Soure e com apoio dos investigadores Luiz, Walder e Mauro, localizaram a embarcação e questionaram o proprietário da mesma sobre a propriedade e origem dos veículos. O homem alegou que adquiriu as motocicletas de terceiros em Abaetetuba; no entanto, os policiais, procedendo a investigação no Departamento Estadual de Trânsito verificaram que, das três motocicletas encontradas, duas estavam com registro de roubo.

Os acusados e os veículos apreendidos foram conduzidos para a Delegacia de Soure, onde foi detectado que um dos acusados encontra-se com alvará de soltura por prática de latrocínio no município de Manaus, Estado do Amazonas.

Major PM Leno Carmo - Ascom PMPA

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A lenda da Ilha da Pacoca



José Cardoso, navegador como todos nós que o barro de Abaetetuba procriou, amigo dileto do Orkut, arremessou um indignada e justa reclamação contra os gerentes de ontem e de agora de nosso arraial. É que nunca tinha lido em qualquer lugar a "Lenda da Ilha da Pacoca" nosso maior patrimônio fabulesco. Essa história permanece viva pela transmissão oral de nosso povo. Só por isso. Faltava zelo aos governantes para mandar imprimir um texto com esse patrimônio cultural abaetetubense.

Retruquei essa afirmação de José Cardoso dizendo que na Escola "Álvaro Guião" em São Carlos, São Paulo, onde concluí o 2º Grau, possui uma biblioteca muito boa, onde existia um exemplar da obra "Lendas Amazônicas" onde estava narrada a Lenda da Pacoca, embora ignorando nosso município. Foi, entretanto a única ocasião que li tal lenda. Aliás, só vil esse livro uma vez. Voltei a procurá-lo e não mais encontrei.

José Cardoso, Oficial da Marinha Mercante como dois irmãos meus e vários outros amigos, disse que não tinha conhecimento que algum filho da terra tivesse a hombridade de passar para o texto aquela história.

Ficamos por aí.

Passados alguns dias, dei-me conta que ele tinha razão e que tinha lançado aquele desafio para mim. Mandei uma mensagem aceitando o desafio mas propondo que ele ajudasse a completar a história, pois eu tinha lembrança do essencial, mas não tinha certeza quanto ao todo. Infelizmente não obtive resposta.

Tentei quietar, mas não consegui. O desafio merecia ser respondido à altura. Inclusive pela preservação do patrimônio de nosso povo.

Assim, escrevi a lenda.

A LENDA DA ILHA DA PACOCA

Demóstenes, no auge de sua juventude, sentiu ardor no peito. Não, não era doença braba, mas um não-sei-o-quê, um não-tem-lugar, uma apertação no corpo, uma friagem quente que nem ele, com seu sentir, podia explicar o que era. Tinha aparecido no arraial de N. Sra. da Conceição quando viu aquela mocinha, tão bonita como as girandas de brinquedos. Era a Sebastiana, filha mais nova do Velho Bruno, tecedor de matapi lá do Furo-Grande.

O doente de não-sabe-o-quê, filho único de navegadores dos rios e do mar, estava só no mundo desde a adolescência, quando o pai não respeitou a tradição de presentear os negrinhos-da-pororoca com a destilada cana de Abaeté, perecendo entre ondas e remansos do encontro de águas doces e salgadas.

Homem de habilidades, Demóstenes dominava a ciência de se conduzir pelas águas, salgadas ou doces, calmas ou revoltas, no claro ou no escuro, de qualquer forma. Se tivesse apenas uma enxó construía qualquer embarcação, dependendo da madeira e do tempo. A matemática dos mastros e dos cascos lhe pertencia. A mecânica dos astros, o cheiro e a direção dos ventos, e as marés, era tudo o que precisava para navegar em qualquer água. Cortava o pano com o cálculo da experiência , encerava-o com resina de plantas ou de peixes, organizando qualquer velame.

Não tinha paragem. Hoje aqui, amanhã outro porto.

Mas jurou ficar ponte pelo amor da linda Sebastiana.

Tanto cantou, tanto cercou, tanto falou e ouviu, que Sebastiana também sentiu ardor no peito , o não-sei-o-quê , a apertação, o não-tem-lugar, as friagens, ou seja, apaixonou-se pelo navegador Demóstenes.

Pediu a moça em casamento e levou, não só a benção de seus pais, mas uma terra para se quietar: um lindo paraíso de várzeas, igapós e terra-firme, chamada de Ilha da Pacoca porque lá moravam muitas pacas.

Demóstenes e Sebastiana fixaram residência e domicilio e se amavam mais e mais conforme o passar do tempo. Até que uma noite a esposa cai doente: febre, tremedeira, diarréia, vômitos e desmaios. Era necessário buscar auxílio na vila imediatamente. Mas a noite era de temporal e de águas agitadas.

O mestre navegante observou o tempo e viu que era praticamente impossível vencer as ondas, correntezas e remansos, com apenas uma montaria que possuíam na Ilha, pois, desde que casou, não mais possuía outra embarcação para não ser tentado a voltar a navegar como antes.

Mas era o tempo ou a morte de seu amor. Resolveu enfrentar a natureza. Mas quando buscou sua montaria, percebeu que o temporal foi mais esperto e levou a embarcação em suas brabezas.

O desespero tomou conta do corpo e da alma daquele caboclo. Não tendo alternativas, pegou sua amada mulher nos braços e jogou-se no rio para levá-la a nado até onde pudessem salvá-la. Entretanto, o rio o devolvia para a margem com fúria e força. Após várias tentativas, e vendo seu amor suspirando de morte, Demóstenes começou a gritar clamando pelos encantados da floresta e dos rios. Pedia clemência pela vida de sua paixão. Não obtendo resposta, correu para casa e pegou todos os panos que lá tinham e os estendeu sobre as árvores, amarrando-os pelas bordas e pontas, formando um velame. Agarrou o remo que sobrou da sua montaria e, na beira do rio, mergulhava-o na água com o movimento de quem rema.

Tentava, com o velame de seus panos e com as remadas de seus braços, transformar a Ilha da Pacoca em embarcação, navegando na noite de temporal para salvar sue esposa. Demóstenes gritava por todos e por tudo e, de repente, sentiu que a ilha se mexia e navegava. Alegre, foi abraçar sua esposa desfalecida quando teve o assombro de não mais sentir sua respiração e seu calor: Sebastiana não suportou e faleceu.



Num impulso indescritível, Demóstenes levantou o corpo de Sebastiana aos céus gritando com a voz de cem trovões quando aconteceu um encantamento: a Ilha da Pacoca se iluminou toda, com as luzes de centenas de faróis e luas; os panos feitos velas se inflaram, e a Ilha da Pacoca começou a navegar velozmente sobre as furiosas águas do temporal.

Assim, até hoje, quando se tem um temporal feio na região do Rio Maratauíra, nas proximidades de Abaetetuba, uma grande embarcação, toda iluminada, com velas e velas, surge singrando as águas do rio e lá se vê, em sua proa, um homem com uma mão no cordame e, em outro braço, um corpo de mulher. É a Ilha da Pacoca, encantada, com Demóstenes levando Sebastiana para tentar salvá-la.


Clóvis Figueiredo Cardoso

Presos bandidos que realizavam sequestros

A cidade de Abaetetuba, no Baixo Tocantins, entrou para o triste rol das cidades que sofrem com os casos de sequestro com reféns, quando o taxista José Rildo Guimarães Dias apanhou um casal na entrada do bairro de São Sebastião.

O que era pra ser apenas mais uma corrida, pra garantir o sustento da família, acabou se tornando um pesadelo para o profissional do volante. Logo ao entrar no táxi, o casal anunciou o assalto e mandou José Rildo seguir mais à frente, onde mais uma dupla de assaltantes o aguardava.

O taxista foi então vendado e colocado no banco de trás do veículo, tendo um dos ladrões assumido o volante, seguindo então até o bairro da Angélica, onde entraram em uma casa, fazendo ainda mais duas crianças, de 12 e 16 anos, reféns.

Um mototaxista que passava na ocasião estranhou a movimentação e decidiu passar as informações para os policiais da cidade. O tenente Samaronny, oficial interativo da área, se deslocou até o local, organizando o cerco policial e deu início às negociações. O oficial acionou uma guarnição do Grupamento Tático Operacional do CPR-IX e mais a guarnição da 27ª Zona de Policiamento, sob o comando do sargento Lobo, e ainda uma guarnição do Corpo de Bombeiros para dar suporte à operação.

Os assaltantes de dentro da residência começaram a fazer as exigências de praxe: pediram coletes à prova de balas, a presença da imprensa e de um advogado, para resguardar a integridade física dos mesmos, sendo atendidos aos poucos.


NEGOCIAÇÃO

A negociação se deu tranquilamente, apesar do nervosismo dos acusados, que ameaçavam os reféns a todo instante, mas graças ao bom senso e discernimento do tenente Samaronny, tudo correu bem até a rendição dos acusados e entrega das armas.

Os acusados libertaram primeiramente as crianças, e finalmente o taxista, sendo levados à delegacia para os procedimentos de praxe. Na delegacia, os acusados foram identificados como: Adriano Correa Bergue, Antonio Castilho dos Santos, Cristiely Ferreira de Sousa e Rafael Correa da Costa, que a princípio se identificou como Wellington de Souza Martins, para encobrir sua verdadeira identidade.

Após uma breve busca no sistema da Polícia Civil se descobriu que Rafael era foragido do Presídio Estadual Metropolitano I, em Marituba, onde respondia por homicídio e tentativa de homicídio, além de ostentar nas costas, uma grande tatuagem de um palhaço com uma arma de fogo, o que na gíria policial, indica que o acusado seja assassino de policiais, fato que ainda está sendo levantado junto aos órgãos de Segurança Pública.

Os acusados foram indiciados por roubo qualificado, extorsão mediante sequestro, cárcere privado, porte ilegal de arma de fogo e ainda formação de quadrilha ou bando, pelo delegado Delcio, da Superintendência Regional do Baixo Tocantins, e ficaram à disposição da Justiça, aguardando transferência para uma das unidades da Susipe no Estado.

Participaram da Operação o tenente Samaronny, sargentos Sarges, Lobo, cabos Mauro, Tamilton, Lameira e soldado Alexandre e mais três policiais do GTO de Abaetetuba: cabos Idel e D. Silva e soldado Barreto.

“Na verdade, essa modalidade criminosa vem se expandindo para o interior do Estado, devido à eficácia dos órgãos policiais da capital. Mas aqui em Abaetetuba, nossa tropa está bem preparada para dar combate a esses delinquentes que tentam tirar o sossego e aterrorizam a população de bem em nosso município. Foi muito louvável a atuação de cada um dos policiais nesta ação de hoje”, finalizou o major Silva Junior.


(Diário do Pará)

http://www.diarioonline.com.br/noticia-167010-presos-bandidos-que-realizavam-sequestros.html